Público

•agosto 7, 2009 • 1 Comentário

Estou lendo atualmente um livro chamado “Educação Ambiental Urbana”, de Vilson Carvalho. Já que não tenho cadeira alguma sobre temas de meio-ambiente esse semana, resolvi adiantar alguma leitura para o semestre que vem. Então, ao ler alguns pontos principais do livro, achei interessante comentar sobre uma coisa que comecei a tomar conhecimento no ano passado: o cuidado com o lugar público.

Ano passado, como membro do Subcentro dos Alunos da Engenharia Elétrica, passei muito tempo na sede do CA, que serve como lugar de descontração, descanso e estudo – dependendo da época do semestre e do dia. Freqüentemente recebíamos avisos da faxineira para dizer pro pessoal maneirar na bagunça. Não foram poucas as vezes que juntei lixo do chão ou das mesas depois de um grande grupo sair. E não eram os avisos que deixávamos no quadro ou folhas na parede que fizeram o pessoal mudar sua postura quanto a isso.

Outra situação que causou dor-de-cabeça, foi o acesso à rede wireless que disponibilizamos no meio do ano. No tempo que me lembro, umas três vezes nos foi bloqueado o acesso por algum infeliz utilizar programas P2P (ex. eMule). De novo, os avisos no quadro e nas paredes não foi estímulo nenhum a mudanças de atitude por parte de alunos, pois ao visitar esses tempos a sala novamente, a internet estava bloqueada.

O causo é que a mentalidade “se é público, não é meu” é um problema. E o pior é que nem dá para culpar o governo, sendo simplesmente uma falta de educação (literalmente) da população. Inclusive, é uma desvalorização de um bem próprio, já que se algo é público, é meu também.

O problema é convencer as pessoas disso, já que a velha ladainha de que “se cada um fizer a sua parte, tudo fica bem” não cola mais (e, acho, nunca colou) – apesar de não ser nada mais que a verdade. E aí entro no motivo de estar lendo esse livro: como fazer para melhorar isso? A resposta para essa pergunta, nem o autor tem, pois só me dei conta disso ao ter que eu próprio jogar o lixo de outro para o lado para estudar.

Caderneta

•julho 31, 2009 • Deixe um comentário

Ao ver alguns amigos que cursam Psicologia fazendo uma espécie de relato sobre como se deu sua chegada ao curso, e então à profissão, e a sugestão solta no ar: “acho que, na verdade, todos deveriam fazer isso”, resolvi acatar o desafio. Dou-lhe a alcunha de desafio, pois requer mais da minha memória do que eu posso confiar, além de uma análise de mim feita por mim. Entretanto, almejo menos do que os amigos alcançaram, penso em somente uma reflexão própria até onde minha vontade desejar, exclusivamente dentro do tema e sem que isso me leve a algum outro lugar necessariamente.

Dos tempos de quinta série, resgato a lembrança de uma frase marcante que proferi na aula de Geografia. A professora havia exposto o tema dos problemas ambientais em aula e pediu para que cada um dos trinta e poucos alunos na sala desse sua impressão. Eis que proferi: “acho que depois dessa era de desenvolvimento econômico, deveríamos partir agora para uma era de desenvolvimento ambiental”. Por algumas semanas após aquela aula, todo mundo dizia que eu ia me candidatar ao Partido Verde.

De mais velhos tempos ainda, de quando sequer consigo datar, lembro que tinha vontade de ser fiscal do IBAMA. Entre um daqueles desejos de criança – “o que eu quero ser quando crescer?” -, esse era um que se destacava, principalmente quando via as notícias no Jornal Nacional de animas silvestres roubados ou queimadas na mata. De fato, essas notícias ainda hoje me causam agonia, pensando onde vamos parar com toda essa ignorância. Mas quanto ao emprego que sonhava, fui dissuadido pelo meu pai, que deu algum motivo qualquer que me fez desistir – talvez a periculosidade.

Quase uma década depois, fui acometido pela dúvida cruel que cerca jovens entre 15-17: a escolha de curso para a faculdade. Vaguei bastante pela medicina veterinária, pelo amor aos animais. Escolha dissuadida totalmente após uma visita ao hospital veterinário da UFRGS. Em acordo com milhares de testes vocacionais que fiz, embrenhei-me para o lado da engenharia, ao tomar conhecimento do assunto de tecnologias de energias renováveis. Era minha escolha no momento: trabalhar com energias renováveis. Entretanto, essas escolhas (mal)feitas no escuro – ou seja, sem conhecer quase nada da profissão – acabaram me levando a desistir de ambos cursos que comecei.

Não é por acaso que hoje curso Engenharia Ambiental. No meu primeiro vestibular “às ganha”, o curso estreiava como opção. Mas para trabalhar com energias renováveis era necessário um conhecimento mais técnico – elétrico ou mecânico – que, eu acabei por descobrir, não era meu interesse, senão leve curiosidade. Acabei por fim, na mais generalista da engenharias, que desde o início tive vontade mas receio de fazer. Hoje ignoro os receios e sigo em frente.

O que considero mais irônico na minha ligação com o curso e, mais, com o assunto de interesse – meio-ambiente -, é que jamais tive ligações práticas, além do interesse normal. É uma característica minha, na verdade. Meus interesses sempre rondaram um plano de pouca profundidade nos assuntos, portanto poucas vezes fui atrás da ação – somente um ou outro projeto virtual que encarei e desisti.

Daft Punk

•julho 29, 2009 • Deixe um comentário

Foi nas madrugadas do ano 2001 que tive os primeiros contatos com Daft Punk. Na época, a banda larga era um luxo de poucos e só depois da meia-noite era barato. Nos finais de semana, porém, dava para entrar depois das 2 da tarde. Isso não impedia que eu entrasse madrugada adentro participando animadamente de chats nas salas de Pokemon do zip.net. Infelizmente, a música digitalizada recém engatinhava e a Jovem Pan era a melhor opção para ouvir música. A propósito, virando madrugadas pude ver que as músicas eram repetidas 3 vezes durante o período. Entre elas, tocava One More Time do Daft Punk.
Demorei uns 7 anos para ter os instrumentos necessários para explorar melhor Daft Punk. Banda larga, curiosidade e um amigo disposto a mandar músicas deles. Os clipes que passavam na tv, sempre mantiveram minha curiosidade acesa. Não é qualquer um que tem, afinal, por trás de seus vídeos a assinatura da Toei Animation – famosa no meio dos animes.
A mesma curiosidade que fez a dupla adotar desenhos em seus clipes , foi a ferramenta para tornar sua música bem easy-listening – até mesmo para ouvidos não muito fãs da música eletrônica. É um eletrônico meio pop, por assim dizer. E também um jeito mais light de adentrar no meio techno, sem partir para o psy diretamente.
Para conferir algo, o melhor é começar por “Digital Love” e “Harder, Better, Faster, Stronger” (com direito a assim o clipe das mãos que alguém fez), ambas do álbum Discovery.

Seminário de Radiações Não-Ionizantes

•maio 22, 2009 • 4 Comentários

Dias 18 e 19 de Maio tive a oportunidade de acompanhar a evolução de um tema que está em escalada no verbo dos cientistas do mundo (ainda que não tenha a mesma repercussão na mídia): o efeito biológico das radiações não-ionizantes. Tema esse muito controverso, chegando a talvez comparar-se àquela história da participação do homem nas mudanças climáticas, com a diferença de que talvez as radiações possam nos afetar mais diretamente.

Primeiro, para esclarecer, por radiações não-ionizantes entenda-se a ação de campos eletromagnéticos (EMF, eletromagnetic field) gerados, por exemplo, por rádio, televisão – EMFs de baixa instensidade -, celular, torre rádio-base de celular e linha de transmissão – EMFs de alta intensidade. Essas radiações, principalmente provindas de EMFs de alta intensidade, têm sido colocadas em xeque pela ciência da saúde. Gerada a controvérsia, tem-se a dizer ainda que o dinheiro da indústria é influente o suficiente para deixar qualquer tecnologia acima de todas as suspeitas. QUe fazer?

Cientisas de várias países reuniram-se no bonito prédio do Ministério Público Estadual para discutir acerca da questão. Estive eu lá, e, para minha felicidade, cheguei bem na hora do “coffee break”: pães de queijo e bolacha até enfartar. Após, começaram as palestras técnicas. O Dr. Lívio Giuliano começou falando de um tal de Zhadin Effect. Como bom italiano que era, gesticulava bastante. E com seu inglês macarrônico, nem o tradutor conseguiu se acertar muito bem. Martin Blank, da Columbia University, por sua vez escandalizou as senhoras de respeito ao afirmar que o EMF estaria relacionado ao desenvolvimento de câncer, através de interferências no DNA. Engraçado notar que as mesmas senhoras saíam toda hora para falar no celular (celular=EMF).

(Pausa para um adendo: quando se acha que com a velhice vem maior respeito, não se pode estar mais enganado. Gente conversando e celulares tocando eram coisas freqüentes no auditório.)

Leif Salford apresentou sua pesquisa com ratos expostos a sinais GSM (sim, aquele do celular) e constatou que formaram-se bolinhas roxas nos cérebros de suas cobaias. Era um vazamento de albumina que aumentava de acordo com o nível de exposição à radiação. Entre muitos outros cientistas que seguiram tentando comprovar sua tese, Raymond Neutra enveredou a discussão para um lado totalmente diferente. Falando de comportamento, ética, Katnt, entre outros, deu sua contribuição – não científica, mas lógica – do porque adotar o Princípio da Precaução.

O Princípio da Precaução se refere não a fatos comprovados, mas a incertezas. Adotar medidas que nos protejam mesmo antes de pesquisas chegarem a um consenso. Com essa conversa, lembrei-me prontamente da minha professora de Ecotoxicologia que falava sobre a indústria química criar milhares de produtos a mais do que a toxicologia conseguia testar sua toxicidade aos humanas. Usamos coisas, afinal, que não sabemos que efeitos podem ter sobre nossa saúde. No caso das EMF, desde os anos 70 alguns cientistas clamam pelo princípio da precaução.

Há lugares que já adotam certo de nível de precaução, conforme citou Devra Davis, especialista do Insituto de Câncer da Universidade de Pittsburg. Cidades como Lyon, na França, já tentam proteger suas crianças. Há campanhas do tipo “não dê a seu filho celulares”, pois reconhecidamente o público infantil é o mais fácil de dobrar para se utilizar badulaques eletrônicos. Mas Devra jogou sujo, atacando os sentimentos paternos/maternos dos ali presentes incitando um semi-ódio aos celulares e apelando pela saúde das crianças. Quase a confundi com um jornalista, mas logo me dei conta que ela era expert em sua área (oncologia ambiental) e possivelmente sabia do estava falando.

E assim seguiu-se o seminário, ninguém tendo provas irrefutáveis, permanecendo a discussão e as dúvidas. Fato é que, se há algo errado com nossas tecnologias, a ação deve vir logo com medidas preventivas, de baixo custo, e investimentos pesados em P&D que diminuam os possíveis efeitos das radiações não-ionizantes.

Indiadas à parte

•maio 19, 2009 • 2 Comentários

Ultimamente, parece que tenho me especializado em indiadas. Não que seja ruim, apenas indica que certamente não sou a pessoa mais certa para escolher um programa. Não bastassem as vezes que escolho pela indiada, ela acaba me perseguindo em outras situações. De saraus bizarros a cuidar de provas no sábado à tarde sem dormir, tudo pode acontecer.

Indiadas à parte, é sempre bom sair da rotina. Temos o resto de nossas vidas para ela.

Da Engenharia Ambiental

•maio 11, 2009 • 5 Comentários

Dentre as engenharias, a Engenharia Ambiental é a mais simpática a olhos leigos. Nunca ao dizer que eu fazia Engenharia Mecânica ou Elétrica causei uma expressão melhor que um “bah…” meio pra baixo. Já ao falar o que hoje faço nunca ouvi nada pior que “pô, legal isso aí!”. Fico intrigado com essa diferença brutal entre a EngAmb e as outras.

Creio que geralmente ao falar-se de EngAmb pensa-se mais no Ambiental do que na Engenharia, causando um interesse maior pois há um certo apelo social: o respeito para com o planeta. Isso ocorre mesmo entre alguns colegas que, ao escolherem o curso, não se deram conta que havia muita Física e Matemática até chegar no destino Ambiental. Mas curiosamente aqui o fim justifica e incentiva a suportar os meios, tendo um nível baixíssimo de desistência (uns 3 entre 120), ao contrário de outras muitas engenharias que desistem quilos de pessoas todo semestre.

Mesmo assim, engenharia é sempre engenharia, e se há uma consciência social na área, ela advém exclusivamente da cabeça de cada um. Não há disciplinas conclamando a reforma agrária ou lutas sociais. Há sim um espaço, restritíssimo, para discussão acerca do meio-ambiente em uma que outra cadeira de início de curso. Ainda assim são discussões baseadas no parco conhecimento que cada um carrega até aquele inicial momento.

(esse texto acaba aqui mesmo. Não foi cortado, só não sei como concluir).

Agenda POA

•abril 13, 2009 • Deixe um comentário

Resolvo aqui divulgar meu novo projeto:

AgendaPOA – http://twitter.com/agendapoa
Objetivo: Divulgar dicas culturais, trazidas sempre que possível a partir de experiências vividas ou oportunidades mal divulgadas, para curtir melhor Porto Alegre.

26ª Copa Gerdau de Tênis

•março 28, 2009 • 2 Comentários

Sábado pela manhã: Associação Leopoldina Juvenil. Entre Nike, Adidas e Louis Vutton, fui conferir, com meu pai, a 26ª Copa Gerdau de Tênis, torneio juvenil internacional que por uma sorte do acaso existe em Porto Alegre. O fato de ser grátis obviamente contribuiu muito para estarmos lá, sendo uma baita oportunidade para conferir o que em qualquer país europeu seria 30 euros para entrar. Claro, a organização não se compara, mas para nossos padrões estava suficientemente bom.

Sendo um torneio internacional é de se esperar que houvesse estrangeiros, e de fato havia – muitos. Cada tenista trazendo uns 3 acompanhantes no mínimo, foi o suficiente para, na platéia, sentir falta do português. Entre línguas bizarras do leste-europeu, a única coisa que consegui entender foi a palavra “focus”, que o latim conseguiu infiltrar em todas as línguas ocidentais possíveis. Era um ambiente interessante, onde se misturavam os tenistas, que não estando na quadra assistiam os jogos, e o público, tornando a atmosfera atipicamente cosmopolita em plena província porto-alegrense.

Foram quatro horas que passaram quase despercebidamente – apenas o estômago começou a reclamar ao chegar meio-dia. Sendo 2 jogos por vez, vi 4, inclusive o do único brasileiro ainda vivo no torneio: Zé Pereira, que (com a ajuda do sol a pino de meio-dia) conseguiu passar para a final vencendo o eslovaco Horansky. Amanhã se encerra o torneio, mas tenho a certeza de que estarei lá novamente, e assim espero comparecer nas próximas edições.

Senta que lá vem história

•março 23, 2009 • 2 Comentários

No último domingo, aproveitando a ocasião de celebrar o aniversário de Porto Alegre, fui à Redenção (oficialmente Parque Farroupilha) conferir os shows bizarros e legais que por lá rolavam. O palco foi montado ao lado do arco, com o público ficando embaixo do sol que rachava. Na verdade, todos se aglomeravam debaixo de sombras que algumas árvores e o próprio arco geravam, naquele calor portoalegrense de 30°C.

Chegando ao local, não pude deixar de pensar – além do calor – na história que aquele lugar traz. Parece estranho isso em se tratando de um simples parque em Porto Alegre, entretanto nessas férias fiz uma pesquisa (não formal, mas movida pela curiosidade) sobre a Porto Alegre do início do século XX. A exposição permanente no Museu Joaquim Felizardo atiçou muito da curiosidade, além de alguns causos com que que volta e meia  me deparava na internet.

Uma das histórias que mais me chamou atenção foi a do surgimento do Parque Farroupilha. Antigamente uma simples várzea, o atual local do parque começou a ser utilizado como centro de exposições, tendo a maior importância na Exposição do Centenário da Revolução Farroupilha (1935). Considerada uma das maiores exposições do Brasil na época, ela contava com pavilhões de quase todos os estados brasileiros, até pavilhão nazista (curioso não? Lembrem-se que na época o Brasil flertava com ideais parecidos com Hitler e cia. – dá-lhe Estado Novo), cassino, entre outras atrações. Para a exposição foi construída boa parte da estrutura que vemos hoje no local: lago, arco, alameda…

Enfim, um pouco de história sobre o lugar que hoje serve de ponto de encontro para tomar um chimas com a gurizada.

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Restaurantes de Porto Alegre

•março 22, 2009 • 3 Comentários

Não sou dos maiores freqüentadores de restaurantes em Porto Alegre, pelo contrário: como fora pouco, talvez uma vez a cada três meses no máximo. Claro, tirando o RU ou um lanchezinho aqui e ali. Mas recentemente fui a lugares que me deixaram bastante surpresos quanto a qualidade da comida e acessibilidade de preço. É o que importa basicamente. Não faço questão de paredes de carvalho, velas na mesa ou telões de plasma nas paredes. Deixo aqui então dois depoimentos que servem de referência para quem quiser.

La Pizza Mia – Pizzaria uruguaia, o que por si só já explicaria tudo. Mas a questão é que 50×12cm de pizza a 40 reais e coberturas de verdade (ao contrário do estilo Pizza HUT a.k.a. todos sabores tem o mesmo gosto) deixam o vivente sair bem faceiro e com a certeza de que Montevidéu está bem perto – ali na Eudoro Berlink.

República do Pastel – Esses uruguaios são desgraçados. Além de fazerem pizza que é uma beleza, ainda capricham no pastel. Sem dúvidas o pastel mais recheado de Porto Alegre por preço de pastel de vento. A última vez pedi 3 pastéis para mim, mas depois do primeiro já ficou difícil de continuar, de tanta carne que tinha. Infelizmente a casa está fechando, não sei por qual motivo e a rua da república ficará órfã de um dos melhores pastéis da cidade.