Manifestação

Manifestar é um direito legítimo de todos aqueles que se sentem prejudicados em uma nação. É para isso que pagamos impostos afinal: para todos termos condições de nos formar seres humanos sem prejuízos. Impostos que teoricamente deveriam nos servir, o que é uma característica paternalista do Estado brasileiro. Porém, na prática as teorias não funcionam e o que vemos é uma exclusão social muito grande. Assim, os impostos acabam perdendo o significado paternalista e tomam rumos contrários. As manifestações que temos hoje são os reflexos dessa desvirtuosidade. Grandes grupos acabam se sentindo prejudicados pelo não repasse de verbas para sua classe, e encontram na greve e em outras formas de protesto um meio de tentar chamar a atenção de problemas que necessitam ser resolvidos.

Dentre esses manifestos, uns tomam viés político-ideológico, outros sociais, uns pacíficos, outros violentos. O mais novo desses protestos se deu nas Universidade Federais do país, com estudantes ocupando a reitoria com pautas de reivindicações por vezes racionais, mas por vezes irracionais somente buscando a auto-promoção de alguns elementos.

O causo mais famoso é o da USP. Uma ocupação que já passa de um mês e já virou invasão, atrapalhando os processos administrativos da própria universidade. Os motivos podem ser os melhores possíveis, mas a hora de negociar já passou faz algumas semanas e a baderna toma conta. Alguns grupos políticos tomam conta de manifestações assim, entrando no movimento estudantil e caçando os próximos “revolucionários” a aparecer na TV dizendo “e aí, beleza?”.

Porém algo aconteceu mais perto: a invasão da reitoria da UFRGS, com uma pauta que de saída me deixou desconfiado e pensativo se tudo era realmente necessário e não era mais um grupo de pessoas querendo aparecer no Jornal Nacional. A começar pelo primeiro ponto: “apoio à ocupação da reitoria da USP”. Eu juro que não entendi o que queriam que o Reitor fizesse com aquilo, mas enfim, estava lá. Outro ponto era a ampliação do RU do Centro e do Vale, que só tem funcionamento crítico mesmo no início dos semestres quando todo mundo ainda agüenta comer aquela comida. Porém com o decorrer do semestre, eu digo pra vocês: demora mais esperar por um almoço no Bar do Antônio do que ficar na fila do RU. Pelo menos para mim.

A ocupação durou dois dias. O que surpreendeu foi o fato de as reivindicações terem sido acatadas em quase toda totalidade rapidamente. Talvez o Reitor seja uma pessoa compreensiva, o que geralmente não se vê em cargos políticos. Mas é um grande ponto para os estudantes! Pela primeira vez eu passo a acreditar que manifestações tem um grande valor, desde que não sejam violentas nem abusivas e de preferência tenham motivos sérios e reais. Pena que essas não são a maioria.

 

RU do Campus Saúde oferece janta
12/6/2007

A partir de amanhã, dia 13 de junho, o Restaurante Universitário do Campus Saúde oferecerá jantar, além do almoço. O horário de atendimento será das 17h30min às 19h. O restaurante localiza-se na Rua Ramiro Barcelos, número 2500. Mais informações pelo telefone 33083260.

 

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6 Respostas para “Manifestação

  1. Como já te falei, não foi uma invasão, e sim uma ocupação, porque só se invade o que não é nosso, e a Reitoria é nossa, pagamos impostaos para isso!!
    Concordo contigo que as filas nos R.Us são mais cíticas no inicio do semestre, onde ficamos mais de 1h na fila, mas no meio do semestre ficamos também uns bons 30 mim. Mas quando pedimos a ampliação para diminuir as filas, pensamos naqueles que necessitam comer no R.U, por não terem condições de pagar os altos valores de refeições no Antônio, e quem saem de uma aula ao meio dia e tem outra as 13:30.
    Não me surpreendeu tanto a rapidez com que o Reitor acatou as nossas reivindicações, porque 2008 é ano de eleição pra Reitor na UFRGS. E também porque algumas das putas são lutas que se tem na UFRGS há um bom tempo, e a reitoria só nos deu uma resposta definitiva colocando datas para a conclusão ou implementação das reivindicações.
    E uma coisa eu frizo, reivindicar e manifestar nossos problemas faz efeito sim!!
    Lembra que uma vez te encontrei na fila do R.U e eu estava passando um abaixo-assinado sobre Permanência??
    Pois bem, a permanencia foi mantida na UFRGS!!
    Isso só reforça que não devemos ficar aparados e acomodados!!

  2. Imposto não é característica de estado paternalista. Sem imposto não há estado. E a USP é estadual e não federal com foi dito.

  3. Eu não sou contra protestos, mas acho que o pessoal se passa. Algazarra na frente do HPS é uma idéia de jerico, e uma pessoa que faz isso perde uma credibilidade que ela já não tem de sobra. Idiotice ao quadrado.

    Sempre tem uns babacas fazendo manifestações, é por isso que não as levam a sério. Tira toda a essência de um movimento que em si deveria mostrar o quanto o povão tem voz, e o quanto essa voz é forte.

    Apoiar a ocupação da USP é meio estratégia de marketing pra fingir que são mais numerosos e assustadores do que realmente são. Não há sentido.

  4. É importante e necessário que a comunidade faça saber de suas reivindicações. Infelizmente, muitas vezes isso só acontece com barulho ou quando algum órgão importante ou poderoso (e.e.TV) toca no assunto, reflexo do desprezo e até a falta de respeito que muitas vezes os detentores do poder demonstram em relação a certos grupos ou assuntos. Nada melhor que uma manifestação (o evento ou o ato) bem organizada para revelar as ânsias de um grupo. Naturalmente alguns criam diferentes, e talvez exageradas visões do assunto tratado, por isso a organização é importante, para uniformizar. Uns são mais acomodados e aceitam passivamente os problemas, do outro lado, outros levam a causa às últimas conseqüências.
    Tão importante como a reunião de um grupo , é a definição clara de seus objetivos e da consistência de suas reivindicações e seus métodos. Um grupo grande de estudantes apesar de seu tamanho, perde representitividade quando demonstra reivindicações e comportamentos incosistentes.

  5. Sobre o imposto, “imposto não é característica de estado paternalista”, porém ter altos impostos é. Mas o que o Basil acaba sendo é , humm…, “pseudo-paternalista”, uma empresa grande que a gente paga bem para receber um serviço porco, com a diferença que não temos a escolha de comprar ou não seus serviços…
    De um tempo pra cá, o Estado tem se preocupado muito com políticas assistencialistas, ou seja, mais ou menos como fazer do imposto um meio de tirar do rico e dar pro pobre. Porém, com essa bagunça toda, há de se perguntar se o que acontece não é o contrário.

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