Musicovery

A chamada Web 2.0 não tem muitas novidades estruturais: a revolução se dá no conceito de interatividade. Esta é a direção dos passos que a Internet deve dar no decorrer desta década.

A interatividade está tão presente por toda a rede que quase não se nota mais quando entramos na Wikipedia, lemos uma notícia no Google através de RSS ou participamos do Orkut. Esses são apenas alguns poucos exemplos, dos mais populares no Brasil, que mostram o “cotidiano virtual” de uma pessoa comum. Nos Estados Unidos, um fenômeno que se popularizou foi a febre do MySpace, similar ao Orkut mas com inúmeras funcionalidades a mais (afinal, os americanos não são chinelos quando se trata de tecnologia). Lá se encontrou uma ótima forma de aliar as artes (literárias e musicais) ao fuxicamento da vida alheia. Ao mesmo tempo que podíamos ler sobre a vida de alguém, poderíamos encontrar o perfil de uma banda que quer mostrar seu trabalho e ouvir algumas músicas.

Nesta linha da música, paralelamente, um antigo esquema de webradios começou a se expandir e criar conceitos ainda inexplorados. Foram criadas rádios onde você poderia ouvir o estilo de música que o conviesse. O já “falecido” Pandora (virou pago e exclusivo para habitantes dos EUA) dava a oportunidade de selecionar um gosto musical e ele retribuía com músicas de estilo “similar”. O Last.fm acabou criando uma rede social que aponta para afinidades musicais entre os membros, dando a possibilidade de, similarmente ao Pandora, ouvir várias rádios com perfis definidos. Porém, agora algo novo surgiu: o Musicovery. Este, por sinal, foi o motivo deste post.

Musicovery é um site criado em 2006 que conheci ontem lendo uma notícia do site da INFO (que é uma revista da Abril). Vi a manchete “Depois da Last.fm, vem a Musicovery” e fui compelido a entrar no site quase que instantaneamente, já que sou um dos adeptos ao Last.fm. Logo me vi num site em flash de sistema muito simples, porém com uma vastidão de opções a escolher. Uma gama quase infinita de possibilidades que me abriram. O site deixa o usuário escolher ritmos para a procura de músicas, além de escolher uma espécie de humor (mood) associado à música (introduzindo finalmente a relação entre humor-música, algo muito interessante em termos de “rádio” online). Fazendo uma montagem de preferências, quase que automaticamente aparece uma árvore de músicas que seguem aquela lógica disponíveis para ouvir – facilmente pode-se  variar de uma música para outra ou fazer outra busca. Além de tudo, há a opção de escolher as décadas que se quer ouvir e marcar ou desmarcar as opções Hits ou Non-Hits para quem está ali para ouvir de  tudo, ou quer conhecer coisas novas.

Um dos vilões dessas rádios é o tema da pirataria. Porém, para a felicidade dos internautas mais e mais a venda de mp3 avulsas está sendo aceita pelos detentores de direitos autorais, além de acreditarem que a reprodução das músicas possa ser uma publicidade aceitável nos tempos de crise em que vive a indústria fonográfica. Gostou? Pode comprar a música ou cd pela Amazon, procurar no eBay e etc. direto do site.

Apesar de tudo, é questionável quanto tempo o Musicovery irá durar sem ser inteiramente pago. O site atualmente é de graça, tendo a opção de pagar somente para quem quer ouvir uma qualidade de som relativamente boa. Com os servidores cada vez mais cheios, quero ver até onde vão agüentar até que queiram cobrar algo para manter o site no ar. Enquanto isso não acontece, aí vai a dica: aproveitem! Aproveitem bastante, é uma boa oportunidade para fugir de modas (modas pop ou indie, todas excessivamente “monossonoras” se é que esse termo existe).

Anúncios

6 Respostas para “Musicovery

  1. Marcelo Figueiredo Duarte

    Cara, só discordo de uma coisa: dizer que os americanos não são chinelos é precipitado demais. Tu já deu uma navegada nos sites pessoais do MySpace? É horrível. Aquilo é uma bagunça, cada página carrega automaticamente uma música, vídeo, flash, o diabo. E como o modelo é editável, os usuários fazem umas páginas esteticamente grotescas e com código todo mal-feito, virando em dois toques uma inegável… chinelagem.

  2. Concordo com o Marcelo.

    Ademais, a diferença entre a Web 1.0 e 2.0 é que a última circula em torno das redes de usuários ajudando a ampliar e melhorar o serviço. Esta é a principal diferença entre a Last.fm e o Musicovery. Ambos são aplicativos na Web, mas a Last.fm é 2.0, a Musicovery não.

    Ainda assim, o Musicovery é muito mais intuitivo do que a Last.fm, o que eu aprecio, pois sou muito burro para compreender a Last.fm: esse site, PHP e ASP são os grandes segredos que não consigo desvendar na vida.

  3. Não podendo julgar o My Space e o Last.fm por puro desconhecimento(que grosso eu não?!), estou nesse momento explorando o universo do Musicovery e por enquanto estou curtindo bastante.
    Bom divulgá-lo enquanto ele permanece gratuito. XD.

  4. Vou falar sobre um outro lado dessa historinha que tanto rende papo. O artista quase nada perde com essas coisas de pirataria. Só os top de linha, que vendem muitos discos. O percentual máximo que as gravadoras dão para eles é em torno de 8% das vendas. O artista ganha grana mesmo é com shows. Mas aí é que está o paradigma. As gravadoras é que perdem nisso tudo. As gravadoras divulgam os artistas que tocam nas rádios e vendem discos. Se tocam nas rádios, o artista é contratado para shows. Só se toca em rádio se rolar um jabá. Se não vendem discos, não tem grana para o jabá. Se os discos não tocam nas rádios, ninguém conhece o artista. E aí não rolam os shows. Isso tudo tem que ser reinventado.

  5. Em duas palavras? Danke schön 😀

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s