Da subjetividade das artes

Às vezes neste blog, falo de coisas óbvias, do que todos sabemos, mas nunca vimos (pelo menos eu nunca vi) escrito. Desta vez, não é diferente.

Recentemente houve o Oscar, evento que me fez pensar através de quais critérios os filmes são escolhidos para a lista e quais eu escolheria caso tivesse esse poder. Dinheiro das produtoras à parte, avaliar um filme objetivamente é algo difícil, afinal não somos desprovidos de sentimentos. Não me restrinjo à sétima arte, somente. Músicas, quadros, o que for: o raciocínio é o mesmo.

Era um dia como qualquer outro, meu pai e eu fomos ao cinema. Lá escolhemos o filme: Dança Comigo? (Shall We Dance?, 2004), com Richard Gere e Jennifer Lopez. Nada fora do normal, mas havia um perfume de alguma mulher que chegava até mim. De alguma maneira, aquele perfume entrava na trama e combinava muito bem com o clima da película. Era algo fantástico, e acabei tendo aquele como um dos melhores filmes que já vi. Com certeza, o filme não era nada de mais, mas a atmosfera que se criou era a melhor possível.

Outras situações, como ir ao cinema com companhias para lá de agradáveis fazem qualquer trama parecerem no mínimo legais. Se o filme for reconhecidamente bom, melhor ainda.

Porém se formos sozinhos ao cinema, sem odores e quaisquer outras coisas? Há sempre um momento pelo qual estamos passamos que influenciará em nossa impressão, nossa crítica acerca do filme. Podemos identificarmo-nos com algum dos personagens, o que faz com que acabemos gostando um pouco mais. Acontece igual na música: nem sempre achamos o mesmo som sempre bom… há a vez do samba, a vez do reggae, a vez do rock, depende do “momento” (como alguns diriam).

Como avaliar qualquer arte objetivamente, então? Não sei. Talvez um dia, com a Engenharia Elétrica eu faça uma máquina para isso. Nesse dia, os Oscar, Grammy, Emmy e afins perderão sua graça. (Não que hoje eles tenham alguma.)

6 Respostas para “Da subjetividade das artes

  1. Eu acho que não tem como avaliar a arte objetivamente. Por isso os críticos de cinema raramente concordam 100% entre eles quanto à qualidade de um filme.

  2. Fazia um tempo que eu não passava por aqui, preciso dizer que a leitura de “Um tipo de diário de bordo” quase me colocou nos Andes e que estou querendo informações sobre como fazer essa viagem também. “Nothing’s gonna change my world”, nem preciso dizer, me indentifiquei muito com o texto. Sobre o último post, tenho pensado ultimamente sobre minhas preferências, e concordo que a atmosfera do momento (o nosso estado de espirito, a compania e o ambiente onde estamos) é determinante para uma decisão, continuo assim sem “um estilo” musical e com problemas em dizer meus filmes favoritos XD.

  3. Gosto dessa flexibiidade da arte: um cheiro capaz de alterar a percepção, uma memória transformando um quadro qualquer em obra-prima, uma companhia fazendo do monótono o fascinante. Não quero -e nem poderia- avaliá-la objetivamente. O mundo é muito maior quando as ruas têm mais de um sentido.

    fazia tempo que eu não aparecia por aqui.
    gostei (:

  4. Como avaliar a arte objetivamente? Não dá, porque ela é subjetiva, assim como são os homens que a criam.

    E por que os homens são subjetivos? Seria a pergunta, então.
    Eles não são. São objetivos.

    Mas por que os tomamos como subjetivos, então? Seria a pergunta final.
    Por que os vemos como um todo subjetivo. Não percebemos que cada um, com suas emoções, seus pensamentos e seus sentimentos é unicamente objetivo. Mas que, em comparação com outro homem, que também possui sua própria objetividade, passa a ser visto com um ser subjetivo. Quando essa massa nada homogênea de objetividades personalíssimas que existem em nossa sociedade entra em choque, cria-se a noção de subjetivade.

    E é por isso que eu acho que a arte não pode ser avaliada objetivamente 😀

  5. pelos homens, talvez por apenas um deles 😀

  6. O interessante das artes passa realmente por isso: elas buscam passar suas impressões através de meios subjetivos, dando margem a uma gama de interpretações e efeitos possíveis. Se não fosse subjetiva, arte virava ciência. Acho que um bom meio de medir a qualidade da arte é ver a eficiência com que ela consegue passar as impressões (mas isso pode ser medido?).
    Virando para o lado da engenharia, talvez no futuro alguém implante perfumes à multimídia do cinema? :p Aí então, com a ajuda de um sentido a mais, os filmes possam passar ainda melhor as tais impressões (como no caso do filme que você assistiu)…

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