Teatro

Eu tenho um problema com peças de teatro: eu raramente consigo captar a história. Como geralmente o diretor tenta fazer um negócio elaborado com cronologias quebradas, histórias paralelas, tramas complexas, além do usual forte uso de simbologias do teatro, eu acabo ficando meio perdido em relação a história em si. Foi o caso da última peça que assisti: Marat/Sade, do pessoal do curso de Teatro da UFRGS.

Aparentemente havia uma peça dentro da própria peça. Os atores eram atores duplos, pois atuavam uma atuação. Ao desenrolar da situação, entretanto, muitas vezes eles saíam dessa encenação da encenação e havia uma história de fundo. Se alguém me perguntar que parte é qual, eu não vou saber dizer. Muito confuso para mim. Apesar de tudo, a história era ótima. Basicamente no contexto da Revolução Francesa, o agente principal que desencadeava tudo era o tal do Marat. Não sei, contudo, em qual peça o Marat estava: se na encenação dos “atores reais”, ou na encenação dos “atores virtuais” – arrisco essa definição para conseguir diferenciar as duas camadas.

Mas fato é que havia uma forte discussão acerca da ideologia empregada na época da Revolução Francesa. Algo do tipo “será que os fins justificam os meios?”, além de discussões acerca de um senso de justiça e direito da população camponesa. É uma problematização bem comum em revoluções em geral, passar ou não por cima de tudo que se acredita em prol de um bem que poderá vir.

De uma maneira geral, esse negócio de peças é muito louco. Do nada as pessoas começam a cantar, ou a se atirar de um lado para o outro. Teve até uma hora que um dos atores atirou um copo de vidro no chão durante uma correria no palco e detalhe: estavam todos de pés descalços. Gurizada tão fissurada no enredo que começa a extrapolar. Outro ponto alto da peça é, por unanimidade, quando uma das atrizes mostra os peitos (numa peça que envolve o Marquês de Sade isso não podia faltar). Parece que ela mostrou mais de uma vez, infelizmente só vi a primeira. O Pedro disse que chegou a esquecer a história e ficou só esperando esse momento derradeiro. E valeu a pena.

Uma resposta para “Teatro

  1. Olá… mais um engenheiro, ou pobre engenheiro nessa blogsfera!
    Andei dando uma lida em alguns dos seus textos, me identifiquei muito com as tuas observações, e quase não acreditei quando li que tu és aluno da engenharia da UFRGS, nada nesse mundo está perdido (nem a falta de medalhas de ouro do Brasil)!!!

    Abraço

    ps.: Li tua avaliação do semestre passado… saudade do tempo que eu tinha cadeiras no Vale, a vida era bela e eu não sabia.

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