Revistas

É comum ao comentarmos sobre uma certa revista com alguém e acabarmos nos defrontando com opiniões infundadas e preconceituosas:
– E a Veja, ein?
– Ah, é uma merda de revista sensacionalista de direita

– Esses dias eu tava olhando a Super Interessante e…
– Super Interessante?! Mas é melhor ficar lendo borra de café do que aquela merda!

Pois bem, essas visões partem de influências próximas dentro do meio que se está vivendo e de pessoas que provavelmente não leram mais do que a capa. Digamos que não se possa descartar uma revista pela capa, embora a capa realmente não chame muito a atenção de alguém com opiniões pré-estabelecidas e talvez tais revistas tenham artigos que são uma merda realmente.

Confesso que sempre ao ver uma Super Interessante na minha frente, começo a pensar nos absurdos que ela pode estar se referindo naquela edição. Mas certa vez, ao folheá-la, me deparei com um artigo que não poderia estar melhor escrito e com a melhor verdade. Era sobre a questão do Tibet. Basicamente, ao contrário de toda a propaganda da imprensa internacional, eles relatavam que o Tibet não queria a tão dita independência e sim somente uma maior autonomia. Acontece que o barulho internacional era tão grande que, no meio do caminho, todas informações acabaram subvertidas e magicamente estava lá a Super Interessante para tratar da questão de uma maneira correta. Li, também, boas colunas na Veja, embora nunca tenha nada que tenha levantado a moral dela perante minha opinião.

Semana passada tive a oportunidade de conhecer uma revista que teoricamente é dita como esquerdista: Le Monde Diplomatique (Brasil). Para quem gosta de estudar, conhecer e entender geopolítica, a Le Monde é uma referência excelente. Pelo menos na edição que li (setembro), ela se aproximou do meu ideal: caracteriza uma revista o mais sem tendências políticas possível. Suas reportagens, em geral, apresentam um contexto e depois, partindo para o presente, elaboram questões a serem refletidas. Invariavelmente, o autor acaba expressando seu ponto de vista, como é de se esperar em qualquer texto, mas até chegar nessa parte muita água já rolou e temos já a base sobre aquele assunto para podermos nos dar a liberdade de, se quisermos, discordar.

3 Respostas para “Revistas

  1. Marcelo Figueiredo Duarte

    A Super Interessante até pode dar alguma bola dentro no que diz respeito a matérias jornalísticas. Mas a maior parte do conteúdo de cunho científico que ela sempre trouxe e supostamente continua trazendo, hoje em dia é uma bela porcaria que serve mais como desinformação engraçadinha do que qualquer outra coisa. Eis o problema dela.

  2. A Super Interessante quando foi lançada (sim, eu era moleque e meu pai comprou desde o primeiro número) fazia grande jus ao seu nome. Com o tempo ficou meio sem sal, com matérias apelativas e que se afastavam do caráter científico. Ultimamente, tem se esforçado para parecer mais “cool”, voltada a um público jovem. Eu concordo com o Marcelo, a Super de hoje deixa a desejar, mas às vezes surpreende.

    Eu torcia o nariz para este Le Monde Diplomatique por parecer uma revista “esnobe” a começar do próprio nome não traduzido, bem como a Der Spiegel… como é que uma revista “gringa” vai me ensinar sobre o meu país? Mas diante da falência de credibilidade das versões nacionais (Veja, Istoé, Época), pode ser uma opção para me informar sem risco de ser “doutrinado”.

  3. Apesar de me decepcionar, as vezes, ao receber as edições, continuo assinando a Super Interessante, vale a pena pelas boas matérias, faz parte da minha vida (uns 8 anos assinando).

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