Jornalecos

Durante a era pré-Internet quando nem se sonhava em possibilidades de comunicação que esse evento traria, os meios de comunicação básicos eram o papel e a voz. Lá pelos fins de 70 surgiu o “Não”, uma “revista” organizada por jovens portoalegrenses mais antenados com o mundo. Curiosamente , mas não por acaso, hoje alguns deles são bem conhecidos em nosso meio cultural local (Giba Assis Brasil, Carlos Gerbase…). O “Não” era no começo folhas de caderno que passavam de mão em mão para serem lidas pela turma. Traziam artigos, crônicas, histórias , etc. A brincadeira durou uns 7 anos.

Eis que nos aproximamos dos anos 2000. Remanescentes daquela turma, 22 anos mais experientes, juntam-se a outros grandes nomes de nossa contra-cultura com a idéia de usar a dona Internet como uma nova forma de espraiar aos quatro ventos a revista. O “Não” então virou uma daquelas toscas páginas de HTML. Eram os tempos virtuais chegando. Aproveitando a onda e provavelmente inspirados por ela, um bando de loucos da FABICO (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) surgiu com o COL – Cardoso On-line. Era um “mailzine”, como se definiam já que a forma de distribuição era via listas de e-mail.

Há algum tempo desde que o Marcelo Duarte me mostrou, volta e meia leio alguns artigos dessas experimentações de contra-cultura. É fantástico, para não dizer “do caralho” que essas coisas existam (tenham existido na verdade). Tanto por terem um valor histórico mostrando situações da época, quanto pelos artigos loucos de gente que estava cansada da Zero Hora de cada dia.

Hoje em dia a coisa é meio diferente. Temos nossos blogs pessoais e surgem revistas de contra-cultura de distribuição gratuita – embora eu tenha receio de classificá-las como contra-cultura. Pessoas isoladas e grupos conseguem ter sua voz dirigida para o mundo. Não mais nos restringimos ao nosso grupinho, embora este ainda seja sempre o nosso maior leitor. Há ainda as redes de blogs, como o insanus.org que não deixa de ser em espírito as velhas folhas de caderno que circulavam pela turma.

Esas nossas diferentes gerações partilham da mesma coisa, do mesmo ideal, do mesmo objetivo e característica: liberdade de expressão. E é por ela que desde 70 e tantos o “Não” lutou, e é por ela que hoje estou aqui nesse blog.

 

Referências:

Não

COL

Insanus.org

4 Respostas para “Jornalecos

  1. Marcelo Figueiredo Duarte

    Haaaaaaaaaaaa!
    Eu sabia que tu ia acabar fazendo um post sobre isso. Perdi a corrida! Se não fosse o maldito congresso, eu teria escrito primeiro. Agora azar. Vou inventar outra coisa.
    Mas que a justiça seja feita: a tua execução da divulgação dos jornais-guerrilheiros provavelmente ficou melhor do que a minha poderia ter ficado. Eu não tinha elaborado a idéia tanto quanto tu…
    =P

  2. O “Não” estuprou o pouco da inocência que restava em mim mesmo.

  3. Cardoso sempre foi muito bom 😉 O Não eu conheci de outras maneiras e por outros motivos.
    Na época eu que era mais assídua da igreja – por incrível que isso pareça – nós tínhamos um jornaliznho “do demo”, cujo nome era Apolcalipse e além de ter sua coluna RSVip – porque era distribuído via CARTA SOCIAL ( a de 1 centavo ) para todos os cantos do estado e pra um carinha na Argentina – também discutia sobre os rumos que a igreja e que a gente mesmo tomava.
    Era contracultura de qualquer maneira, mais localizada.
    E agora todos somos contracultura, sendo a favor dela ou não, entendo o que ela seja ou não e efetivemente “participando” dela !

  4. Bah, muito interessante ficar sabendo desses materiais aí. Assim que tiver tempo vou começar a lê-los, iniciando com o não que me chamou mais atenção. É o blog do Unni, que além de divertir-nos ainda nos informa muitas coisas! =P

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