Eleições para o DCE da UFRGS

E assim acabaram as eleições do DCE: chapa 1, situação, vencedora do pleito.

Este ano, resolvi aprofundar-me mais em minha relação ao que acontece no DCE, do que havia feito até agora (ou seja nada). Fui convidado para entrar em uma chapa e decidi aceitar: chapa 3 Pode Chegar na cabeça. A priori, pareceu-me uma boa idéia, afinal era a única chapa em formação e por isso acreditei que seria a que melhor eu poderia me colocar para expôr minhas idéias. As outras chapas já eram figurinhas marcadas:

  • Chapa 1 – DCE Sempre em Frente: situação, conhecida como turma do PSOL. Perpetuava-se há 4 anos por falta de outra opção forte
  • Chapa 2 – DCE Livre: muitas vezes chamados de privatistas por aceitarem a co-existência de empresas privadas e universidade. Na verdade, essa é a única chapa que conseguia atingir a realidade da engenharia e, por isso, havia votado nela ano passado. Porém, tanto a chapa 2 quanto a 1 tinham figurinhas dentro de si que são incompatíveis com uma imagem de honestidade, o que me levou a colocar um pé atrás em relação a estas.
  • Chapa 3 – Pode Chegar: a minha. Composta por alguns membros dissidentes da situação, descontentes com o rumo anti-democrático que a turma do DCE tomou. No meio das rotulações partidárias, ficamos conhecidos como PSTU/PSOL. Era, em verdade, a única chapa nova e levantava a bandeira de levar o DCE até o estudante.
  • Chapa 4 – Roda Viva: nunca ouvi muita coisa deles, e nessas eleições eles não estavam lá muito animados. Pelo que ouvi dizer, eram em maioria filiados ao PT.

Ao entrar na disputa, participando de passagens em sala, debates e colagens de cartazes pude aprender muito do que há por trás dessa disputa. A começar pelo jeito que as chapas fazem política. Enquanto as chapas 2, 3 e 4 fizeram uma disputa, diria, pacífica, a chapa 1 sempre tratou a eleição como uma guerra. Mentiras foram soltas, coações ocorreram, xingamentos e todo o tipo de coisa que acontecem em eleições “de verdadinha”. A conclusão que eu chego é que o DCE na verdade é um estágio preparatório para concorrer aos cargos de representação popular. Os que lá estavam, utilizaram de toda artimanha ética ou anti-ética possível para tentar manter-se no poder – e conseguiram. Durante as eleições, organizados como uma guerrilha aparatados com walkie-talkies e andando em bando, atribularam votações em locais onde não eram seu “curral eleitoral”. Com todos esses absurdos ocorrendo, só pude ter uma certeza para mim: que ganhasse qualquer chapa, menos a 1. Digo eu: para fazer política estudantil, não é necessário agir como guerrilha ou políticos profissionais. Para fazer política estudantil, é necessário vontade e bom coração. Ou deveria ser. Mas aparentemente, aí já entramos na parte utópica da coisa e acabamos, na realidade, vendo que até mesmo meros estudantes digladiam-se por cargos representativos.

Outra coisa que vi é que existe realmente muita gente interessada no que acontece na universidade. Andando nas salas de aula, pude perceber que o marasmo que eu achava que havia na engenharia não é o mesmo de outros cursos.

Por fim, o que melhor apreendi nessas eleições foi ver quanta gente com mente fechada há. Principalmente dentre aqueles filiados a partidos. Poderia discorrer um texto inteiro sobre isso, regado a raiva. Porém, reservo-me a dizer que ninguém é dono da verdade, nenhuma chapa, nenhum partido. É impressionante o número de cavalos que acreditam cegamente em tais e tais ideologias sem contestar vírgula alguma. Digo cavalos, pois são doutrinados a sempre olhar na mesma direção, sem possibilidade de se opor a nada. É impossível conversar com qualquer um destes, pois eles portam a verdade absoluta e incondicional. Quem sou eu para discordar.

Outra anotação ainda que muito refleti acerca foi o fato de que, na verdade, as idéias para o DCE superavam em muito o caráter universitário. Quem votava em uma chapa, votava em uma visão de mundo. Se parássemos para analisar todas as propostas, veríamos traços indubitáveis de que tudo aquilo se apoiava em um ideal de Estado que ia de acordo com a visão do pessoal da chapa. Arrisco dizer que para as chapas 1, 3 e 4, o mundo deveria ser comunista e ponto. Empresas privadas são más em todos os sentidos e não promovem nunca melhora em nada. Empresas privadas colocando dinheiro em pesquisa dentro da Universidade? Impossível! O Estado deveria financiar tudo. Tudo TUDO. E todos. E não importa se estamos a anos-luz disso. Idealismos e utopia estão aí para serem sonhados, mas, sinceramente, acreditar cegamente que essa é uma opção viável não é comigo.

Avançar nessa disputa ao DCE me incentivou a fazer diversos questionamentos sobre o papel da universidade e a razão de ser do tripé “ensino, pesquisa e extensão”. De outra maneira, acredito eu que nunca teria dado bola. Vi que exatamente nesse ponto: o papel da universidade, é onde se estabelecem algumas divergências no ponto de vista das pessoas em geral.

Basicamente, ao fim de toda essa análise, encontro-me em uma bifurcação: posso simplesmente deixar de lado todas essas questões que, sem dúvida, não fazem diferença alguma se eu não quiser, ou continuar e tentar fazer a voz da engenharia ser ouvida no meio de toda essa brincadeira. Mas a princípio, estou mais pela segunda opção.

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3 Respostas para “Eleições para o DCE da UFRGS

  1. Não desiste Waltinho, nosso político, hahaha!

  2. Vamo que vamo meu guri. É isso aí, tem que começar aos poucos e com o passar do tempo e das experiências aprendemos muito. Mas temos que começar, isso é fato. Falo por mim, que participei da chapa da história eleita – a única – e bem de canto quero começar a aprender como funcionam as coisas para participar cada vez mais.

  3. Olha o Eduardo ali em cima! É meu bixo da História!
    A segunda opção, com certeza.

    Abraços,

    Bruna (da chapa… e do PSTU, rsrs)

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