II Congresso Brasileiro de Energia Solar

Semana passada tive o prazer de voltar, mesmo que por alguns poucos dias, a Florianópolis e desfrutar de alguns momentos de lazer junto aos ex-colegas da UFSC e momentos de estudo durante o II Congresso Brasileiro de Energia Solar.
Foi meu primeiro congresso (pelo menos intitulado como “congresso”) e estive muito feliz de participar, ainda que só como mero espectador.

Depois de minha experiência como organizador de evento, dou meu mais contundente elogio à organização do congresso, que não se mixou nas dificuldades e que resolveu as questões assim que foram solicitadas – e, como eu não poderia ficar até o fim do congresso, eu mesmo solicitei vááárias coisas. Assim como os coffee breaks, que eram praticamente meu café da manhã e o complemento depois de um RU meia boca. Sanduíches, cucas e salgadinhos, fora o suco que dava de dez a zero no “podrão” (apelido carinhoso que o suco do RU da UFRGS ganhou da minha turma) tudo muito bom. Mas como não fui ao evento para comer, devo também falar das palestras.

Como eu era “noob” nesse negócio de congresso, achava que o que iria prestar eram as palestras centrais e uns mini-cursos que eu iria fazer. Durante o evento, pude perceber que o mais interessante de tudo eram na verdade as “Sessões Técnicas”, como eram definidas as apresentações de trabalhos. Eram as mais objetivas, pois apresentavam em 15 minutos os resultados das pesquisas nas universidades do Brasil e América Latina. Escolhendo-se bem quais freqüentar, poderia ser muito mais interessante do que ver um jornalista canadense discorrer sobre assuntos vagos durante 40 minutos no salão principal. E de fato foi. Da situação energética do Chile ao desenvolvimento de programas de energia solar nos aeroportos brasileiros, acompanhei atentamente as explicações rápidas dos palestrantes, que por serem rápidas prendiam facilmente a atenção. Eu poderia ter me programado muito melhor se soubesse quão interessantes eram as sessões técnicas, pois os documentários que estavam passando paralelamente também haviam me chamado a atenção.

Quanto aos documentários: foram excelentes. Vi 3, dos quais 2 me agradaram muito. O outro era só uma psicodelia chinesa pós-moderna que serviu para eu aproveitar o ar condicionado da sala.The Jungle Beat (2006, Adrian Cowell) e Delta, Oil’s Dirty Business (2006, Yorgos Avgeropoulos) arrepiaram-me até o último fio de cabelo com a verdade nua e crua típica que esses documentários-denuncia proporcionam.

  • The Jungle Beat trata de um tema que sempre dei muita atenção: o desmatamento na Amazônia. O documentário acompanhava o trabalho de Walmir de Jesus, um chefe do IBAMA, no combate à retirada irregular de madeira por madeireiros provenientes do munícipio de São Domingos do Guaporé (RO). A luta de Walmir chegava a ser épica em alguns momentos como quando confrontado pelo vice-prefeito e multidões de madeireiros. Porém Adrian Cowell não se contentou com simplesmente dar um lado da história, mas expôs também as fraquezas do IBAMA, em denúncias de corrupção dentro do órgão governamental e ineficiências do serviço prestado que, de acordo com os multados, seria uma das principais causas das irregularidades cometidas.
  • Delta, Oil’s Dirty Business mexe com a velha África de guerra e as relações com as multinacionais do petróleo. Mais especificamente falando: Nigéria e Shell. O documentário aborda a história recente da Nigéria, as lutas do povo e a exploração do petróleo pela Shell. O surgimento de milícias e o descaso do governo corrupto são óbvios num contexto de extrema pobreza. Líderes derrotados pelo poder do dinheiro e vilas pobres que deveriam receber uma parte do dinheiro do petróleo são algumas das histórias que Yorgos apresenta.

Um fato curioso durante o evento ocorreu enquanto eu assistia esse segundo documentário. Sentou ao meu lado uma senhora, “très bizarre”, falante de língua inglesa. Olhei para ela e fiquei me perguntando o que aquela velha senhora estaria fazendo num congresso desses. Um dia depois, vi a mesma subindo no palco do salão principal apresentando-se como a presidente da ISES (International Solar Energy Society), a maior sociedade de energia solar do mundo, e apresentando a palestra mais interessante do evento. Quem diria…

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2 Respostas para “II Congresso Brasileiro de Energia Solar

  1. Que bom que gostaste. Este é um assunto muito interessante e importante, que não deveria chamar a atenção somente dos estudantes de engenharia e sim de todas as pessoas. Mas o tema cada vez fica mais na moda, sejamos esperançosos então.

  2. Marcelo Figueiredo Duarte

    Mazá cara, que afudê. Ir pegando as manhas das dinâmicas dos congressos é um bom sinal. Aliás, ir aos congressos é um bom sinal. Sinal de que alguma coisa está fazendo sentido…
    E pelo jeito tu te escapou por pouco das enchentes!

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