Caderneta

Ao ver alguns amigos que cursam Psicologia fazendo uma espécie de relato sobre como se deu sua chegada ao curso, e então à profissão, e a sugestão solta no ar: “acho que, na verdade, todos deveriam fazer isso”, resolvi acatar o desafio. Dou-lhe a alcunha de desafio, pois requer mais da minha memória do que eu posso confiar, além de uma análise de mim feita por mim. Entretanto, almejo menos do que os amigos alcançaram, penso em somente uma reflexão própria até onde minha vontade desejar, exclusivamente dentro do tema e sem que isso me leve a algum outro lugar necessariamente.

Dos tempos de quinta série, resgato a lembrança de uma frase marcante que proferi na aula de Geografia. A professora havia exposto o tema dos problemas ambientais em aula e pediu para que cada um dos trinta e poucos alunos na sala desse sua impressão. Eis que proferi: “acho que depois dessa era de desenvolvimento econômico, deveríamos partir agora para uma era de desenvolvimento ambiental”. Por algumas semanas após aquela aula, todo mundo dizia que eu ia me candidatar ao Partido Verde.

De mais velhos tempos ainda, de quando sequer consigo datar, lembro que tinha vontade de ser fiscal do IBAMA. Entre um daqueles desejos de criança – “o que eu quero ser quando crescer?” -, esse era um que se destacava, principalmente quando via as notícias no Jornal Nacional de animas silvestres roubados ou queimadas na mata. De fato, essas notícias ainda hoje me causam agonia, pensando onde vamos parar com toda essa ignorância. Mas quanto ao emprego que sonhava, fui dissuadido pelo meu pai, que deu algum motivo qualquer que me fez desistir – talvez a periculosidade.

Quase uma década depois, fui acometido pela dúvida cruel que cerca jovens entre 15-17: a escolha de curso para a faculdade. Vaguei bastante pela medicina veterinária, pelo amor aos animais. Escolha dissuadida totalmente após uma visita ao hospital veterinário da UFRGS. Em acordo com milhares de testes vocacionais que fiz, embrenhei-me para o lado da engenharia, ao tomar conhecimento do assunto de tecnologias de energias renováveis. Era minha escolha no momento: trabalhar com energias renováveis. Entretanto, essas escolhas (mal)feitas no escuro – ou seja, sem conhecer quase nada da profissão – acabaram me levando a desistir de ambos cursos que comecei.

Não é por acaso que hoje curso Engenharia Ambiental. No meu primeiro vestibular “às ganha”, o curso estreiava como opção. Mas para trabalhar com energias renováveis era necessário um conhecimento mais técnico – elétrico ou mecânico – que, eu acabei por descobrir, não era meu interesse, senão leve curiosidade. Acabei por fim, na mais generalista da engenharias, que desde o início tive vontade mas receio de fazer. Hoje ignoro os receios e sigo em frente.

O que considero mais irônico na minha ligação com o curso e, mais, com o assunto de interesse – meio-ambiente -, é que jamais tive ligações práticas, além do interesse normal. É uma característica minha, na verdade. Meus interesses sempre rondaram um plano de pouca profundidade nos assuntos, portanto poucas vezes fui atrás da ação – somente um ou outro projeto virtual que encarei e desisti.

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