Faculdade e suas questões

Após um longo período parado, tive novamente vontade de usar esse espaço para jogar alguns pensamentos.

Desde a última vez que postei no blog, houve mais uma viagem, com destino um tanto inusitado: Suécia. E, se a primeira delas (Portugal) teve como conclusão identificar muitas semelhanças entre a cultura portuguesa e brasileira, desta vez o significado maior foi reconhecer diferenças entre o meu mundo e o mundo lá fora.

Das diferenças, uma das que dou mais destaque nesse momento é a diferença na cultura educacional. A experiência com esse intercâmbio acadêmico, aliada aos (já!) 8 anos dentro de uma Universidade, me levam atualmente a uma fadiga com as aulas na UFRGS. Encontro-me saturado do comum lero-lero que são as aulas da minha faculdade. Em contrapartida, na Suécia, tive aulas em que os professores reconheciam que o aluno tem um limite de concentração e que davam pausa a cada 50 min; em que as aulas eram focadas em aspectos fundamentais e em aplicações práticas, e não em amontoar conteúdo; enfim, tive aulas que os alunos ainda estavam com vontade de aprender e não em serem aprovados na prova. Era uma filosofia (sueca) e um contexto (primeiro semestre do curso de mestrado) que proporcionava isso. Não que tudo era bom lá e tudo seja ruim aqui – longe disso: há certamente exemplos opostos. Mas voltei. Voltei e esse semestre o nível das aulas é sofrível – o que é identificado não só por quem já estudou fora, mas também por quem ficou.

Como reflexo disso, minha cabeça viaja por outros assuntos. Penso em seminários, artigos, ciclos, mostras, em tudo que há para fazer em nossa universidade e cidade; penso em jeito diferentes que as aulas poderiam ser dadas; penso no que fazer depois de formado (trabalho/especialização/mestrado). Por um lado excitante, por outro angustiante ao perceber que tudo isso decorre da falta de motivação pelas aulas. Talvez, entretanto, seja algo normal dado meus oito anos de universidade; talvez, não.

——————————————————————

Uma das minhas reflexões ultimamente é em relação a que fazer depois de formado. Já indaguei vários colegas a respeito, alguns mais constrangidos por ter que decidir isso até o fim do semestre, outros mais de sangue doce. Raros sabem. Tenho pensado em ser professor universitário, mas para isso teria que fazer mestrado e doutorado, ou seja, enfrentar mais 6 anos. Penso que hoje o mestrado no Brasil é um lero-lero a mais, uma formalidade desnecessária, após ter visto muita dissertação que mal eu consideraria um trabalho de graduação. Na Europa, eles já decretaram que o mestrado era uma inutilidade e agruparam na graduação. Vale a pena enfrentar aulas com os mesmos professores de sempre, ou ir para outro lugar? Tentar um mestrado no exterior e pelear para conseguir a validação? Após isso, o doutorado. E aí rezar para abrir um concurso digno. Ou tentar conciliar pós-graduação com trabalho?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s